Colonia del Sacramento, uma coisinha pequena, banhada pelo rio, com
um centro histórico todo fofo, “plazas” gramadas e cheias de sombra.
Primeiramente pertenceu aos portugueses e depois foi para a mão dos espanhóis,
uma mistura de estilos. Eis nossa outra viagem por dentro do Uruguai: deixamos
nosso apartamento em Montevideo e partimos para Colonia no que seria uma
estadia de apenas uma noite, chegando no sábado dia seis de janeiro e
retornando no domingo dia sete.
Enquanto montava o roteiro, vi
inúmeras sugestões de bate-volta mas queria ficar um pouquinho mais para ter
tempo de sentar num canto e sentir a atmosfera, coisa que perdemos facilmente
nos passeios relâmpago. Assim, após definir a data da viagem, fui em busca de
um hotel. Utilizei o
Booking e
reservei o
Hotel Royal, cuja
localização é muito boa, próximo ao terminal de ônibus, entre a cidade nova e a
velha. Optei por um quarto triplo com café da manhã incluso. Contávamos com
wifi, tv e uma piscina mega gélida, hehe. Abro um parêntese aqui: parece que é
sina, toda vez que saio do país e pego um lugar com piscina sonhando em dar
vários “ti-bum” – nas palavras da Sofia – me deparo com um poço de gelo...
Enfim, o hotel era simples, mas aconchegante, o café estava uma delícia, eles
têm espaço para você deixar as malas após o check-out ou antes do check-in,
conforme o caso. A área da piscina era agradável para relaxar e por volta das
19 horas fomos surpreendidos por uma funcionária trazendo chocolatinhos de
boas-vindas. O preço foi um dos mais em conta, mas nada barato: 140 trumps!!
Segue o link:
http://www.hotelroyal.com.uy/pt-br
Definido o hotel era necessário
decidir entre alugar um carro ou ir de ônibus. Tendo em vista a localização do
hotel próxima a tudo e considerando aspectos financeiros, optei pelo ônibus. No
segundo dia de estadia em Montevideo me dirigi a rodoviária para comprar as
passagens. Tínhamos uma a cerca de 15 minutos do apartamento, chamada
Terminal Tres Cruces na
Bulevar General Artigas
1825. No mesmo endereço funciona um shopping e na frente há uma grande praça.
Optamos pela empresa COT – usamos o
critério “a empresa que tiver a maior
fila é a mais querida dos cidadãos por algum motivo então ela será a
escolhida”. Cada passagem saiu 350 pesos uruguaios por trecho, ou seja, ida
e volta totalizou 700 pesos cada cabeça; fazendo uma conversão a grosso modo
isso corresponderia a uns R$72,00. Os lugares foram selecionados pela própria vendedora,
não sei se haveria possibilidade de escolha. São cerca de 2 horas e 30 de
viagem, com base nisso, pegamos a ida no horário das 09 para chegar cedo e ter a
tarde livre e a volta as 16 para aproveitar a manhã. Vale ressaltar que os
ônibus partem praticamente de hora em hora, facilitando a configuração do
itinerário de sua viagem. Os ônibus contam com rede de wifi e banheiro. Há
também um site no qual você consegue acompanhar a viagem e descobrir as
respostas para as clássicas perguntas infantis “tá chegando? Falta muito? E agora já chegou?”. Segue o link da
COT: http://www.cot.com.uy/
Montar o roteiro
não foi muito difícil, a cidade é pequena e a maior parte das atrações estão no
centro histórico. Haviam possibilidades mais distantes: algumas praias (Playa Ferrando ou
Playa Real de San Carlos)
, a Plaza de Toros (uma
arena de touradas desativada), vinhedos, parque ecológico (Parque Anchorena)
, Colonia Suiça Nueva
Helvecia famosa pelos queijos. Algumas empresas oferecem citytour também, mas
eu estava na vibe de andar e descobrir. Outra opção, para quem se cansa rápido
ou já não está no auge da boa forma, é alugar aqueles carrinhos de golfe, muito
comuns por lá.
Optei
por um roteiro que deixasse brechas para sentar, relaxar, observar, conhecer.
Começamos andando em direção ao porto, ruas de pedra, um veículo velho lindo,
restaurantes nas calçadas e pessoas andando, curtindo turistar. Sentamos no Porto,
um sol de rachar, mas uma brisa refrescante. Olhamos o rio e constatamos que
seria uma delícia percorrer aquelas águas em um barco mas não conseguimos achar
ninguém oferecendo o serviço. Andamos mais um pouco e chegamos ao famoso Píer, com chão de madeira vasada (Sofia
ficou fazendo manha achando que o pé dela poderia cair nos vãos =/), alguns
postinhos e bancos. Mais uma apreciada e alguns sonhos declarados em voz alta
(queria tanto ter meu próprio barco!! Hehe). Endereços: Puerto de Yates
fica na Calle De San Jose; Píer fica na Calle De España. Funcionam das 7 às 20h
e não precisa pagar nada. Na frente do Píer, você vê um restaurante e do meio
dele sai uma construção de pedra antiga, esse é o
Forte de Santa Rita, infelizmente não dá para visitar.
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| carros antigos |
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| Sofia no porto |
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| pier |
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| Sofi e os peixinhos motorizados |
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| para sair do Aquario somos engolidos por um peixão =) |
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| Sorvetão |
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| Farol |
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| Vista do último andar do Farol |
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| Muralha |
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| Na beira da piscina |
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| docinho brinde do Hotel |
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| Restaurante Drugstore |
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| Um dos mapas presente no Museu Português |
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| paella |
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| Hora de ir embora |
Saindo de lá queria muito ir a um
centro cultural chamado Bastión del Carmen, nele ocorrem exposições artísticas gratuitas e tem um
lindo jardim com vista privilegiada para o Rio da Prata. Andei um pouquinho até
a Calle Rivadavia, 223 porém o local estava fechado, mesmo constando uma placa
com indicação de que naquele horário deveria estar funcionando. Vida que segue,
né? Subimos outra rua e saímos na frente do Aquário de Colonia localizado na Calle Cevallos, 236. O lugar é simples,
mas divertido para crianças. A entrada é baratinha, senão me engano 50 pesos ou
convertendo R$5,00, crianças de graça. A
minha criança emburrou e falou que não queria entrar, mas, uma vez lá dentro,
se divertiu vendo as piranhas e outros peixinhos encontrados nos rios da
região. No final da visita tem uma área interativa com joguinhos para os
pequenos. Na frente do aquário tem um carro azul antigo e os passageiros são
peixes, muito bonitinho!!
O calor era grande, o sol bem
uruguaio lá no céu. Hora de um descanso e um sorvetinho que no final era um
sorvetão! Sentamos em cadeiras de madeira, na sombra da árvore e devoramos
nossas delícias. Nessa hora a Sofia ficou super feliz e eu também, sorvete de dulce
de leche é o que há!!
Mais bateção de pernas pelas ruas
de pedras, restaurantes mil, carros antigos aproveitados de modos diferentes:
um azul cheio de flores, outro com mesas para um jantar. Chegamos a Plaza de Armas, cercada por uma grande
Igreja (Basílica del Santissimo
Sacramento) e por uma descoberta
arqueológica: as Ruinas Casa del Gobernador. Poucos passos dali estão o Farol e
as ruínas do convento de São Francisco. É possível subir até o topo do
Farol e desfrutar de uma vista linda por apenas 50 pesos, um pouquinho de
fôlego e tendo mais de 09 anos (sorte que a Sofia é grande e passou por mais
velha). São dois níveis a serem visitados, a Sofia ficou com medo de ir ao
último e o Caynã não fazia questão, assim completei o passeio sozinha e pude
saborear aquelas casinhas distantes e o riozão sem fim. Importante!! O Farol
fecha para visitas no horário do almoço - das 12:45 as 14:30.
Próximo dali está o Portón
de Campo e o Bastión de San Miguel
(Endereço: Manuel Lobo, 209) e
quem me conhece sabe que sou viciada por ruínas, quanto mais pedras caídas mais
feliz e realizada eu fico, hehe!! Aqui era o início da cidade histórica. Temos
uma ponte levadiça e uma parte da antiga muralha!!! É possível subir pela
muralha e ver alguns canhões e também o nosso querido rio. Passei pela ponte,
andei pela muralha, feliz e saltitante tal qual uma criança... já a Sofia e o
Caynã.... Os dois ficaram sentados descansando e olhando uma prainha de rio bem
pequena.
Terminamos nosso primeiro dia em
Colonia aqui, voltamos para hotel doidos por uma piscina mas infelizmente não
rolou (água gelada como havia dito), sentamos na beira e fiquei em desespero
quando uma menininha argentina tentou conversar comigo e eu não entendia
nadinha. Tomamos um banho e fomos em busca de um jantar. Optamos por um
restaurante todo estilosinho chamado Drugstore.
Muito lindo mesmo! Cansada de carne malfeita, resolvi partir para os frutos do
mar e comi curry de camarões acompanhado por arroz e esse arroz veio bem no
padrão uruguaio – empapado e sem sal – mas consegui concertar jogando o curry
em cima dele. Caynã pediu carne e adivinhem? Passada para variar. A Sofia quis
uma massa e estava bem gostosinha. O preço foi caro mas pagamos com cartão e
tivemos o desconto do imposto. Dica:
pague sempre com cartões pois os turistas não são tributados!!
No dia seguinte o Caynã acordou
doente e assim ficaria pelos próximos 05 dias. Tomamos o café maravilhoso do
hotel com medialunas doces e fresquinhas. Estava tudo ótimo!! Depois ficamos até
o horário do check-out (11 horas) no hotel para que ele pudesse relaxar. Deixei
a mala no depósito e saímos para andar.
Seguimos pelo
Paseo de San Gabriel, acompanhando o rio.
Revisitamos alguns locais do dia anterior, descemos a prainha próxima ao Bastión de San Miguel e brinquei com a
Sofia de jogar pedrinhas no rio. Fotografamos a
Calle de los Suspiros (casinhas antigas e galerias de arte) e fomos
em busca de algum lugar para o Caynã descansar. Encontramos uma Plaza bem
grande chamada
Plaza Mayor.... Ela é
cercada por museus e rica em sombras. O Caynã ficou sentado lá dormindo
enquanto a Sofia e eu fomos aos tais museus. Todos muito pequenos e com acervo simplório
mas lembre-se: é impossível entrar num museu e sair sem ter aprendido nada! O
primeiro a ser visitado é o
Museo Municipal Dr. Bautista Rebuffo pois
lá você adquire um ingresso que permite a entrada nos demais, custa cerca de R$
7,00 e crianças mais uma vez não pagam. O acervo dele é variado, tem móveis e
utensílios antigos, um pouco da política do Uruguai e uma área dedicada as
ciências naturais com muitos bichinhos empalhados e insetos da região. Ao lado
dele situa-se a
Casa Nacarello,
uma casa da época colonial revitalizada e com placas explicativas sobre a
vida na época colonial, as dificuldades durante os cercos espanhóis (o pessoal
chegava a comer ratos e cachorros por falta de alimentos, usavam portas como
lenha). Depois visitamos o
Museu Português da Colônia de
Sacramento cujo nome é autoexplicativo. Uma coisa legal aqui são
os mapas antigos com desenhos de índios, sereias e monstros marinhos. Outros
museus fazem parte do pacote, mas infelizmente, tendo em vista o marido doente,
optamos por não os conhecer mas posso citá-los aqui: Museu Indigena (Endereço:
Calle Dei Colegio) e Museu Arquivo regional que conta
com uma coleção muito rica de mapas e reproduções cartográficas (situa-se em
frente ao Aquario). Há mais museus com ingressos independentes:
Museo de Azulejos,
Museo de los Naufragios y Tesoros,
Museo del Humor ( esse é interativo, então quem é tímido pode
fugir!!),
Museo Paleontologico, Museo Espanol e
Museo Naval.
Antes de partir
fomos almoçar. Andamos pelas ruas em busca de uma comidinha gostosa. Passamos
em frente ao A la Pipetua e duas
coisas chamaram a atenção: 1. Um senhor que descobri depois ser um “autêntico
espanhol” cozinhando uma paella numa
chapa enorme e 2. Uma moça estava sentada em uma mesa a céu aberta e recebeu a
visita de dois gatinhos sendo que um deles era idêntico a minha bebê Liz, todo
pretinho com olhos amarelo-esverdeados. Resolvemos comer ali!! Acabamos
surpreendidos por uma deliciosa paella
rica em sabor e frutos do mar, até um lagostim gigante veio na nossa cumbuca. A
Sofia optou por um hambúrguer com batatinhas e adorou! O preço não era dos mais
caros, inclusive passamos em outro local que anunciava paella e custava cerca de 100 pesos a mais. Melhor forma de encerrar essa estadia!!
A volta foi mais
demorada que a ida e descobri que os ônibus de viagem do Uruguai podem
transportar viajantes em pé. Fizemos várias paradas e desvios, pegando muitos
passageiros e poucos tinham lugares comprados, inclusive idosos. Aí as pessoas
sediam lugares para esses passageiros preferenciais. Não sei se quem compra
para viajar em pé tem algum desconto, fiquei na curiosidade!
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