terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Pitadas montevidanas

sofia curtindo um conforto no pequenino aeroporto de Montevideo
 Montevideo na visão de uma paulista é o paraíso sem fim, é tipo um Rio de Janeiro, mas mais sossegado no quesito violência. Imagina um lugar cercado por um riozão sem fim, com praças gigantes, áreas gramadas imensas disponíveis para sentar e relaxar... Aliás, lugar para relaxar é o que não falta, você tem praias e mais praias com água morna e tranquila; um calçadão (lá eles usam o termo “rambla”) beira-mar gigantesco e multiuso: dá para passear de bicicleta, sentar e olhar o “mar”, se exercitar nos aparelhos disponibilizados pelo governo (nos últimos tempos a população tem “engrossado” – não, eles não andam mal-educados mas sim tem engordado – e visando combater problemas de saúde decorrentes do ganho de peso, o governo tem disponibilizado os aparelhos para facilitar o acesso as atividades físicas para quem o desejar), tirar “n” fotos, caminhar sem pressa e, se você desejar fazer uma parada com mais “cor local”, pode levar sua cadeira de praia, achar um cantinho embaixo de uma palmeira e bebericar seu mate!


E que relação de dependência é essa entre o uruguaio e o mate? Acho até que liberaram o consumo da maconha para ver se desistiam das outras folhinhas. O mate está em todos os locais possíveis e imagináveis. Dentro do ônibus, no shopping, mercado e nas ruas. O pessoal anda com a garrafinha embaixo do braço e na mão a cuia. Até fiquei preocupada que eles fiquem com os braços atrofiados de estarem sempre na mesma posição, hehe. Há várias lojas vendendo o “kit mateiro”, muitos modelos e decorações arrojadas nas garrafinhas de água quente.

Em nenhum momento, nenhunzinho mesmo, me senti insegura. Cheguei a andar sozinha a noite em ruas vazias, sem nenhuma tensão, com celular na mão e tal. Uma sensação que nunca posso experimentar em São Paulo ou em São Bernardo, uma coisa única e particular que deveria ser comum mas infelizmente não o é. Durante o dia também caminhei bastante e as única pessoas que se dirigiram a mim eram moradores da região (uma senhorinha que queria saber se eu tinha visto para qual direção o moço-amolador de tesouras havia ido com o carro e que assustou a Sofia : - Mamãe, você viu o que ela tinha na mão??? Uma tesoura enormeeeeee! Acho que ela queria matar o tal amolador... - . Aí tive que explicar o que era um amolador e inocentar a pobre velhinha!!) e alguns turistas precisando saber como chegar em algum local ou querendo que eu os fotografasse. Nenhum “fiu-fiu” grosseiro ou aqueles olhares bizarros de homens asquerosos. Tudo na tranquilidade. Na praia também, bem suave! Deixei minhas coisas na areia e embora tenha ficado na neura olhando desesperada ninguém se aproximou. Durante um banho vi um ciclista largar a bicicleta na areia da praia urbana e relaxar por uns 40 minutos sem preocupações....

pelas "calles"








Montevideo não é uma cidade grande, mas as atrações turísticas ficam em diferentes regiões as quais não são muito próximas. Para chegar até elas você pode optar por táxi (muito barato e curioso: tem um vidro que separa o motorista dos passageiros e nele tem um quadradinho para podermos passar o dinheiro; outra coisa legal é que tem uma tabelinha que fica pendurada próxima ao vidro e nela tem a quilometragem e o preço a ser cobrado nas diferentes bandeiras, assim você consegue fiscalizar se o valor cobrado é o certo ou não), uber (usamos bastante mas notei que tem alguma pane no sistema deles lá, sempre o motorista parava num lugar diferente daquele no qual eu estava quando pedia o carro) e ônibus (pegamos alguns e foi bem tranquilo, andamos sentados com exceção de uma única vez mas mesmo assim não foi um problema porque o “estar cheio” do veículo passava longe do “estar cheio” de um ônibus em SP. O preço é de boa, cerca de 3,70 temers. Não consegui entender direito, mas eles têm duas tarifas diferentes, depende do ônibus que você pegar, mas a diferença também não é grande coisa, alguns centavos apenas.). Andamos uma única vez de táxi e não gostei porque o motorista sabia muito sobre o Brasil e nos fez perceber como a nossa situação política e a inércia em relação a mesma nos coloca em uma situação vergonhosa perante nossos vizinhos. Sim, eu sei que está tudo uma m*rda mas não quero lembrar disso durante meu monto de descanso anual. >=( Para finalizar: infelizmente não tem metrô, o meio de transporte que considero o melhor para conhecer uma região devido a facilidade das paradas. Mas também não foi um problema pois em Montevideo existe um aplicativo super útil que te fala em que ponto e qual ônibus pegar, chama-se “cómo ir”. Outra opção é o próprio maps do google, você vai acompanhando o caminho que o ônibus está fazendo e quando estiver próximo do destino é só descer e caminhar um pouco. Optamos bastante por essa última tecnologia assim foi possível conhecer um pouquinho mais da cidade.

Montevideo é antiga e tem uma arquitetura maravilhosa. Para mim que sou viciada em “coisas velhas” foi uma parada muito louca, não sabia para que lado olhar. Só caminhar sem destino já torna-se uma experiência e tanto. As ruas são em sua maioria retas com calçadas largas, bastante espaço para os pedestres.  A sujeira que vi nas calçadas eram oriundas das árvores, basicamente folhas e galhos. Lá os lixos das casas não ficam jogados nas ruas a mercê dos cachorrinhos. Há caçambas verdes (na região central algumas foram decoradas com grafites) e fechadas nas quais as pessoas deixam o lixo até a coleta ocorrer, elas estão distribuídas pelas ruas, acredito que distem cerca de 400 metros umas das outras. Agora para os amantes de animais: não vi nenhum abandonado pelo caminho!! Percebe-se uma predileção por cães mas todos estavam com seus donos. Moradores de rua também são pouquíssimos, um dia peguei para contar os que ia encontrando durante uma visita ao centro e contabilizei quatro. Mas em contrapartida vi algumas pessoas procurando coisas nas caçambas que citei acima... Pobreza zero não rola, mas que a situação é melhor do que no Brasil não preciso nem dizer.... Uma coisa que senti falta são os vendedores ambulantes, sabe aquele anjo que no sol de 40 graus aparece vendendo água geladinha dentro de um isopor? Não existe!!!! E aquele que aparece com salgadinhos e bolachinhas no parque por preços imbatíveis? Pois é, também não existe!!! O único vendedor que vi num farol vendia (pasmem) esponjinhas de lavar a louça!!!!!!!!!! =( Nem na praia tinha o santo vendedor de água, o máximo que aparecia por lá era o sorveteiro e um vendedor de pizza (?!).

Em todos os outros textos citei a dificuldade em encontrar uma alimentação gostosa. Os preços são semelhantes aos nossos após a conversão monetária, mas a qualidade.... Pedi uma pizza e veio uma semelhante a da pizza hut se a pizza hut tivesse eu como pizzaiola, pequeno detalhe! Nesse mesmo pedido veio as famosas “fainas” que são massinhas de grão de bico assadas, delas eu gostei. Fui bastante no Burger King, lá tinha um lanche de frango empanado que era uma delícia. Cozinhar em casa também é uma opção, íamos em mercado chamado Devoto e nele era possível encontrar muitos itens alimentícios, linguiças diferentes, carnes, queijos, massas, ervas frescas para molhos, legumes e vegetais lindos, além de vinhos, muitos vinhos... Agora uma coisa boa e indispensável por lá são os helados, nhami!! Aproveitem!!

caminhadas noturnas



uma ideia digna de nobel da paz: alfajor helado

sofia experimentando um "desengrossador"

pizza e fainas


água morninha


sofia chocada com o tamanhão do pancho

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