terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Pitadas montevidanas

sofia curtindo um conforto no pequenino aeroporto de Montevideo
 Montevideo na visão de uma paulista é o paraíso sem fim, é tipo um Rio de Janeiro, mas mais sossegado no quesito violência. Imagina um lugar cercado por um riozão sem fim, com praças gigantes, áreas gramadas imensas disponíveis para sentar e relaxar... Aliás, lugar para relaxar é o que não falta, você tem praias e mais praias com água morna e tranquila; um calçadão (lá eles usam o termo “rambla”) beira-mar gigantesco e multiuso: dá para passear de bicicleta, sentar e olhar o “mar”, se exercitar nos aparelhos disponibilizados pelo governo (nos últimos tempos a população tem “engrossado” – não, eles não andam mal-educados mas sim tem engordado – e visando combater problemas de saúde decorrentes do ganho de peso, o governo tem disponibilizado os aparelhos para facilitar o acesso as atividades físicas para quem o desejar), tirar “n” fotos, caminhar sem pressa e, se você desejar fazer uma parada com mais “cor local”, pode levar sua cadeira de praia, achar um cantinho embaixo de uma palmeira e bebericar seu mate!


E que relação de dependência é essa entre o uruguaio e o mate? Acho até que liberaram o consumo da maconha para ver se desistiam das outras folhinhas. O mate está em todos os locais possíveis e imagináveis. Dentro do ônibus, no shopping, mercado e nas ruas. O pessoal anda com a garrafinha embaixo do braço e na mão a cuia. Até fiquei preocupada que eles fiquem com os braços atrofiados de estarem sempre na mesma posição, hehe. Há várias lojas vendendo o “kit mateiro”, muitos modelos e decorações arrojadas nas garrafinhas de água quente.

Em nenhum momento, nenhunzinho mesmo, me senti insegura. Cheguei a andar sozinha a noite em ruas vazias, sem nenhuma tensão, com celular na mão e tal. Uma sensação que nunca posso experimentar em São Paulo ou em São Bernardo, uma coisa única e particular que deveria ser comum mas infelizmente não o é. Durante o dia também caminhei bastante e as única pessoas que se dirigiram a mim eram moradores da região (uma senhorinha que queria saber se eu tinha visto para qual direção o moço-amolador de tesouras havia ido com o carro e que assustou a Sofia : - Mamãe, você viu o que ela tinha na mão??? Uma tesoura enormeeeeee! Acho que ela queria matar o tal amolador... - . Aí tive que explicar o que era um amolador e inocentar a pobre velhinha!!) e alguns turistas precisando saber como chegar em algum local ou querendo que eu os fotografasse. Nenhum “fiu-fiu” grosseiro ou aqueles olhares bizarros de homens asquerosos. Tudo na tranquilidade. Na praia também, bem suave! Deixei minhas coisas na areia e embora tenha ficado na neura olhando desesperada ninguém se aproximou. Durante um banho vi um ciclista largar a bicicleta na areia da praia urbana e relaxar por uns 40 minutos sem preocupações....

pelas "calles"








Montevideo não é uma cidade grande, mas as atrações turísticas ficam em diferentes regiões as quais não são muito próximas. Para chegar até elas você pode optar por táxi (muito barato e curioso: tem um vidro que separa o motorista dos passageiros e nele tem um quadradinho para podermos passar o dinheiro; outra coisa legal é que tem uma tabelinha que fica pendurada próxima ao vidro e nela tem a quilometragem e o preço a ser cobrado nas diferentes bandeiras, assim você consegue fiscalizar se o valor cobrado é o certo ou não), uber (usamos bastante mas notei que tem alguma pane no sistema deles lá, sempre o motorista parava num lugar diferente daquele no qual eu estava quando pedia o carro) e ônibus (pegamos alguns e foi bem tranquilo, andamos sentados com exceção de uma única vez mas mesmo assim não foi um problema porque o “estar cheio” do veículo passava longe do “estar cheio” de um ônibus em SP. O preço é de boa, cerca de 3,70 temers. Não consegui entender direito, mas eles têm duas tarifas diferentes, depende do ônibus que você pegar, mas a diferença também não é grande coisa, alguns centavos apenas.). Andamos uma única vez de táxi e não gostei porque o motorista sabia muito sobre o Brasil e nos fez perceber como a nossa situação política e a inércia em relação a mesma nos coloca em uma situação vergonhosa perante nossos vizinhos. Sim, eu sei que está tudo uma m*rda mas não quero lembrar disso durante meu monto de descanso anual. >=( Para finalizar: infelizmente não tem metrô, o meio de transporte que considero o melhor para conhecer uma região devido a facilidade das paradas. Mas também não foi um problema pois em Montevideo existe um aplicativo super útil que te fala em que ponto e qual ônibus pegar, chama-se “cómo ir”. Outra opção é o próprio maps do google, você vai acompanhando o caminho que o ônibus está fazendo e quando estiver próximo do destino é só descer e caminhar um pouco. Optamos bastante por essa última tecnologia assim foi possível conhecer um pouquinho mais da cidade.

Montevideo é antiga e tem uma arquitetura maravilhosa. Para mim que sou viciada em “coisas velhas” foi uma parada muito louca, não sabia para que lado olhar. Só caminhar sem destino já torna-se uma experiência e tanto. As ruas são em sua maioria retas com calçadas largas, bastante espaço para os pedestres.  A sujeira que vi nas calçadas eram oriundas das árvores, basicamente folhas e galhos. Lá os lixos das casas não ficam jogados nas ruas a mercê dos cachorrinhos. Há caçambas verdes (na região central algumas foram decoradas com grafites) e fechadas nas quais as pessoas deixam o lixo até a coleta ocorrer, elas estão distribuídas pelas ruas, acredito que distem cerca de 400 metros umas das outras. Agora para os amantes de animais: não vi nenhum abandonado pelo caminho!! Percebe-se uma predileção por cães mas todos estavam com seus donos. Moradores de rua também são pouquíssimos, um dia peguei para contar os que ia encontrando durante uma visita ao centro e contabilizei quatro. Mas em contrapartida vi algumas pessoas procurando coisas nas caçambas que citei acima... Pobreza zero não rola, mas que a situação é melhor do que no Brasil não preciso nem dizer.... Uma coisa que senti falta são os vendedores ambulantes, sabe aquele anjo que no sol de 40 graus aparece vendendo água geladinha dentro de um isopor? Não existe!!!! E aquele que aparece com salgadinhos e bolachinhas no parque por preços imbatíveis? Pois é, também não existe!!! O único vendedor que vi num farol vendia (pasmem) esponjinhas de lavar a louça!!!!!!!!!! =( Nem na praia tinha o santo vendedor de água, o máximo que aparecia por lá era o sorveteiro e um vendedor de pizza (?!).

Em todos os outros textos citei a dificuldade em encontrar uma alimentação gostosa. Os preços são semelhantes aos nossos após a conversão monetária, mas a qualidade.... Pedi uma pizza e veio uma semelhante a da pizza hut se a pizza hut tivesse eu como pizzaiola, pequeno detalhe! Nesse mesmo pedido veio as famosas “fainas” que são massinhas de grão de bico assadas, delas eu gostei. Fui bastante no Burger King, lá tinha um lanche de frango empanado que era uma delícia. Cozinhar em casa também é uma opção, íamos em mercado chamado Devoto e nele era possível encontrar muitos itens alimentícios, linguiças diferentes, carnes, queijos, massas, ervas frescas para molhos, legumes e vegetais lindos, além de vinhos, muitos vinhos... Agora uma coisa boa e indispensável por lá são os helados, nhami!! Aproveitem!!

caminhadas noturnas



uma ideia digna de nobel da paz: alfajor helado

sofia experimentando um "desengrossador"

pizza e fainas


água morninha


sofia chocada com o tamanhão do pancho

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Máquina do tempo mode on

Colonia del Sacramento, uma coisinha pequena, banhada pelo rio, com um centro histórico todo fofo, “plazas” gramadas e cheias de sombra. Primeiramente pertenceu aos portugueses e depois foi para a mão dos espanhóis, uma mistura de estilos. Eis nossa outra viagem por dentro do Uruguai: deixamos nosso apartamento em Montevideo e partimos para Colonia no que seria uma estadia de apenas uma noite, chegando no sábado dia seis de janeiro e retornando no domingo dia sete.
Enquanto montava o roteiro, vi inúmeras sugestões de bate-volta mas queria ficar um pouquinho mais para ter tempo de sentar num canto e sentir a atmosfera, coisa que perdemos facilmente nos passeios relâmpago. Assim, após definir a data da viagem, fui em busca de um hotel. Utilizei o Booking e reservei o Hotel Royal, cuja localização é muito boa, próximo ao terminal de ônibus, entre a cidade nova e a velha. Optei por um quarto triplo com café da manhã incluso. Contávamos com wifi, tv e uma piscina mega gélida, hehe. Abro um parêntese aqui: parece que é sina, toda vez que saio do país e pego um lugar com piscina sonhando em dar vários “ti-bum” – nas palavras da Sofia – me deparo com um poço de gelo... Enfim, o hotel era simples, mas aconchegante, o café estava uma delícia, eles têm espaço para você deixar as malas após o check-out ou antes do check-in, conforme o caso. A área da piscina era agradável para relaxar e por volta das 19 horas fomos surpreendidos por uma funcionária trazendo chocolatinhos de boas-vindas. O preço foi um dos mais em conta, mas nada barato: 140 trumps!! Segue o link: http://www.hotelroyal.com.uy/pt-br
Definido o hotel era necessário decidir entre alugar um carro ou ir de ônibus. Tendo em vista a localização do hotel próxima a tudo e considerando aspectos financeiros, optei pelo ônibus. No segundo dia de estadia em Montevideo me dirigi a rodoviária para comprar as passagens. Tínhamos uma a cerca de 15 minutos do apartamento, chamada Terminal Tres Cruces  na Bulevar General Artigas 1825. No mesmo endereço funciona um shopping e na frente há uma grande praça. Optamos pela empresa COT – usamos o critério “a empresa que tiver a maior fila é a mais querida dos cidadãos por algum motivo então ela será a escolhida”. Cada passagem saiu 350 pesos uruguaios por trecho, ou seja, ida e volta totalizou 700 pesos cada cabeça; fazendo uma conversão a grosso modo isso corresponderia a uns R$72,00. Os lugares foram selecionados pela própria vendedora, não sei se haveria possibilidade de escolha. São cerca de 2 horas e 30 de viagem, com base nisso, pegamos a ida no horário das 09 para chegar cedo e ter a tarde livre e a volta as 16 para aproveitar a manhã. Vale ressaltar que os ônibus partem praticamente de hora em hora, facilitando a configuração do itinerário de sua viagem. Os ônibus contam com rede de wifi e banheiro. Há também um site no qual você consegue acompanhar a viagem e descobrir as respostas para as clássicas perguntas infantis “tá chegando? Falta muito? E agora já chegou?”. Segue o link da COT: http://www.cot.com.uy/
Montar o roteiro não foi muito difícil, a cidade é pequena e a maior parte das atrações estão no centro histórico. Haviam possibilidades mais distantes: algumas praias (Playa Ferrando ou Playa Real de San Carlos), a Plaza de Toros (uma arena de touradas desativada), vinhedos, parque ecológico (Parque Anchorena), Colonia Suiça Nueva Helvecia famosa pelos queijos. Algumas empresas oferecem citytour também, mas eu estava na vibe de andar e descobrir. Outra opção, para quem se cansa rápido ou já não está no auge da boa forma, é alugar aqueles carrinhos de golfe, muito comuns por lá.
Optei por um roteiro que deixasse brechas para sentar, relaxar, observar, conhecer. Começamos andando em direção ao porto, ruas de pedra, um veículo velho lindo, restaurantes nas calçadas e pessoas andando, curtindo turistar. Sentamos no Porto, um sol de rachar, mas uma brisa refrescante. Olhamos o rio e constatamos que seria uma delícia percorrer aquelas águas em um barco mas não conseguimos achar ninguém oferecendo o serviço. Andamos mais um pouco e chegamos ao famoso Píer, com chão de madeira vasada (Sofia ficou fazendo manha achando que o pé dela poderia cair nos vãos =/), alguns postinhos e bancos. Mais uma apreciada e alguns sonhos declarados em voz alta (queria tanto ter meu próprio barco!! Hehe). Endereços: Puerto de Yates fica na Calle De San Jose; Píer fica na Calle De España. Funcionam das 7 às 20h e não precisa pagar nada. Na frente do Píer, você vê um restaurante e do meio dele sai uma construção de pedra antiga, esse é o Forte de Santa Rita, infelizmente não dá para visitar.

carros antigos

Sofia no porto


pier


Sofi e os peixinhos motorizados

para sair do Aquario somos engolidos por um peixão =)


Sorvetão



Farol

Vista do último andar do Farol




Muralha

Na beira da piscina

docinho brinde do Hotel

Restaurante Drugstore







Um dos mapas presente no Museu Português

paella

Hora de ir embora

Saindo de lá queria muito ir a um centro cultural chamado Bastión del Carmen, nele ocorrem exposições artísticas gratuitas e tem um lindo jardim com vista privilegiada para o Rio da Prata. Andei um pouquinho até a Calle Rivadavia, 223 porém o local estava fechado, mesmo constando uma placa com indicação de que naquele horário deveria estar funcionando. Vida que segue, né? Subimos outra rua e saímos na frente do Aquário de Colonia localizado na Calle Cevallos, 236. O lugar é simples, mas divertido para crianças. A entrada é baratinha, senão me engano 50 pesos ou convertendo R$5,00, crianças de graça.  A minha criança emburrou e falou que não queria entrar, mas, uma vez lá dentro, se divertiu vendo as piranhas e outros peixinhos encontrados nos rios da região. No final da visita tem uma área interativa com joguinhos para os pequenos. Na frente do aquário tem um carro azul antigo e os passageiros são peixes, muito bonitinho!!
O calor era grande, o sol bem uruguaio lá no céu. Hora de um descanso e um sorvetinho que no final era um sorvetão! Sentamos em cadeiras de madeira, na sombra da árvore e devoramos nossas delícias. Nessa hora a Sofia ficou super feliz e eu também, sorvete de dulce de leche é o que há!!
Mais bateção de pernas pelas ruas de pedras, restaurantes mil, carros antigos aproveitados de modos diferentes: um azul cheio de flores, outro com mesas para um jantar. Chegamos a Plaza de Armas, cercada por uma grande Igreja (Basílica del Santissimo Sacramento) e por uma descoberta arqueológica:  as Ruinas Casa del Gobernador. Poucos passos dali estão o Farol e as ruínas do convento de São Francisco. É possível subir até o topo do Farol e desfrutar de uma vista linda por apenas 50 pesos, um pouquinho de fôlego e tendo mais de 09 anos (sorte que a Sofia é grande e passou por mais velha). São dois níveis a serem visitados, a Sofia ficou com medo de ir ao último e o Caynã não fazia questão, assim completei o passeio sozinha e pude saborear aquelas casinhas distantes e o riozão sem fim. Importante!! O Farol fecha para visitas no horário do almoço - das 12:45 as 14:30.
Próximo dali está o Portón de Campo e o Bastión de San Miguel (Endereço: Manuel Lobo, 209) e quem me conhece sabe que sou viciada por ruínas, quanto mais pedras caídas mais feliz e realizada eu fico, hehe!! Aqui era o início da cidade histórica. Temos uma ponte levadiça e uma parte da antiga muralha!!! É possível subir pela muralha e ver alguns canhões e também o nosso querido rio. Passei pela ponte, andei pela muralha, feliz e saltitante tal qual uma criança... já a Sofia e o Caynã.... Os dois ficaram sentados descansando e olhando uma prainha de rio bem pequena.
Terminamos nosso primeiro dia em Colonia aqui, voltamos para hotel doidos por uma piscina mas infelizmente não rolou (água gelada como havia dito), sentamos na beira e fiquei em desespero quando uma menininha argentina tentou conversar comigo e eu não entendia nadinha. Tomamos um banho e fomos em busca de um jantar. Optamos por um restaurante todo estilosinho chamado Drugstore. Muito lindo mesmo! Cansada de carne malfeita, resolvi partir para os frutos do mar e comi curry de camarões acompanhado por arroz e esse arroz veio bem no padrão uruguaio – empapado e sem sal – mas consegui concertar jogando o curry em cima dele. Caynã pediu carne e adivinhem? Passada para variar. A Sofia quis uma massa e estava bem gostosinha. O preço foi caro mas pagamos com cartão e tivemos o desconto do imposto. Dica: pague sempre com cartões pois os turistas não são tributados!!
No dia seguinte o Caynã acordou doente e assim ficaria pelos próximos 05 dias. Tomamos o café maravilhoso do hotel com medialunas doces e fresquinhas. Estava tudo ótimo!! Depois ficamos até o horário do check-out (11 horas) no hotel para que ele pudesse relaxar. Deixei a mala no depósito e saímos para andar.
Seguimos pelo Paseo de San Gabriel, acompanhando o rio. Revisitamos alguns locais do dia anterior, descemos a prainha próxima ao Bastión de San Miguel e brinquei com a Sofia de jogar pedrinhas no rio. Fotografamos a Calle de los Suspiros (casinhas antigas e galerias de arte) e fomos em busca de algum lugar para o Caynã descansar. Encontramos uma Plaza bem grande chamada Plaza Mayor.... Ela é cercada por museus e rica em sombras. O Caynã ficou sentado lá dormindo enquanto a Sofia e eu fomos aos tais museus. Todos muito pequenos e com acervo simplório mas lembre-se: é impossível entrar num museu e sair sem ter aprendido nada! O primeiro a ser visitado é o Museo Municipal Dr. Bautista Rebuffo pois lá você adquire um ingresso que permite a entrada nos demais, custa cerca de R$ 7,00 e crianças mais uma vez não pagam. O acervo dele é variado, tem móveis e utensílios antigos, um pouco da política do Uruguai e uma área dedicada as ciências naturais com muitos bichinhos empalhados e insetos da região. Ao lado dele situa-se a Casa Nacarello, uma casa da época colonial revitalizada e com placas explicativas sobre a vida na época colonial, as dificuldades durante os cercos espanhóis (o pessoal chegava a comer ratos e cachorros por falta de alimentos, usavam portas como lenha). Depois visitamos o Museu Português da Colônia de Sacramento cujo nome é autoexplicativo. Uma coisa legal aqui são os mapas antigos com desenhos de índios, sereias e monstros marinhos. Outros museus fazem parte do pacote, mas infelizmente, tendo em vista o marido doente, optamos por não os conhecer mas posso citá-los aqui: Museu Indigena (Endereço: Calle Dei Colegio) e Museu Arquivo regional que conta com uma coleção muito rica de mapas e reproduções cartográficas (situa-se em frente ao Aquario). Há mais museus com ingressos independentes: Museo de Azulejos, Museo de los Naufragios y Tesoros, Museo del Humor ( esse é interativo, então quem é tímido pode fugir!!), Museo Paleontologico, Museo Espanol e Museo Naval.
Antes de partir fomos almoçar. Andamos pelas ruas em busca de uma comidinha gostosa. Passamos em frente ao A la Pipetua e duas coisas chamaram a atenção: 1. Um senhor que descobri depois ser um “autêntico espanhol” cozinhando uma paella numa chapa enorme e 2. Uma moça estava sentada em uma mesa a céu aberta e recebeu a visita de dois gatinhos sendo que um deles era idêntico a minha bebê Liz, todo pretinho com olhos amarelo-esverdeados. Resolvemos comer ali!! Acabamos surpreendidos por uma deliciosa paella rica em sabor e frutos do mar, até um lagostim gigante veio na nossa cumbuca. A Sofia optou por um hambúrguer com batatinhas e adorou! O preço não era dos mais caros, inclusive passamos em outro local que anunciava paella e custava cerca de 100 pesos a mais.  Melhor forma de encerrar essa estadia!!

A volta foi mais demorada que a ida e descobri que os ônibus de viagem do Uruguai podem transportar viajantes em pé. Fizemos várias paradas e desvios, pegando muitos passageiros e poucos tinham lugares comprados, inclusive idosos. Aí as pessoas sediam lugares para esses passageiros preferenciais. Não sei se quem compra para viajar em pé tem algum desconto, fiquei na curiosidade!

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Rolêzinho no Balneário dos ricos e chiquetosos

Provavelmente quando falam do Uruguai para você, duas coisas aparecem na sua mente como mágica: churrasco e Punta del Este. Sobre o churrasco só tenho a aconselhar a não se empolgarem muito pois minha experiência não foi das melhores (ponto errado, super passado). Já sobre Punta, as coisas são bem mais positivas!!
Quando finalizei a compra das passagens para o nosso vizinho pequenino, o plano era me hospedar durante dois dias no famoso balneário dos “ricos e famosos”. Deveria ter colado esse epiteto em meu cérebro mas não o fiz, e quando comecei a procurar um hotel, apartamento, camping, qualquer espécie de teto, me assustei com o valor das diárias... O lugar mais “meia boca” possuía diárias de R$ 500,00 e pouco. Tendo em vista que não ando nadando em dinheiro, fui obrigada a abortar a estadia e trocá-la por um bate e volta!
- “Beleza!!” – pensei – “Como precisamos parar na Casapueblo que fica afastada do centrinho de Punta é melhor não utilizar ônibus de viagem e sim alugar um carro! Podemos fazer paradinhas no caminho, conhecer algumas praias ou mesmo visitar a Fazenda Lapataia (lá é possível ver o doce de leite sendo produzido, ver os bichinhos, comprar potes de doce de leite) ou algum olival...”
Mais um engano para minha coleção... aluguel de carro era caro, iria precisar de seguro, combustível, pedágio e provavelmente pagar alguns estacionamentos! Assim, me vi em busca de um tour. Muitos são oferecidos, é só jogar no google “tour punta del este desde montevideo” e xeretar os resultados. Em média, o preço por cabeça varia entre quarenta/cinquenta dólares.  O roteiro oferecido é praticamente o mesmo, só mudam a ordem das paradas: “Atlántida y Piriápolis con ascenso al cerro San Antonio; Rambla de los Argentinos y un completo paseo en Punta del Este, con Casapueblo la famosísima casa escultura del artista uruguayo Carlos Paez Vilaró; los barrios residenciales como Beverly Hills, San Rafael, Cantegril, Golf; el curioso puente ondulante de "La Barra" de Maldonado, un pintoresco lugar de moda en las últimas temporadas y las playas Brava y Mansa, recorriendo también el microcentro de la Península con tiempo libre para pasear por Gorlero, su principal avenida.”. Resumindo: uma pequena pincelada do balneário.
Após trocar e-mails, fechei o passeio com a empresa Indoor Uruguay (uruguay@indooruru guay.com), efetuei o pagamento via Pay Pal e recebi meu voucher e a orientação de que, no dia do passeio, eles me pegariam por volta das 08:50 em frente a um determinado hotel próximo ao apartamento que aluguei em Punta Carretas, um agradável bairro de Montevideo.
Nossa viagem para Punta del Este ocorreu no terceiro dia de estadia no Uruguai mais conhecido como quatro de janeiro de 2018. Embora o tal hotel estivesse localizado há cerca de quatro minutos de caminhada de casa, o Caynã e eu temos uma característica em comum e que deve ser responsável pelo sucesso do nosso relacionamento, hehe: somos tão, mas tão pontuais que sempre chegamos com antecedência mínima de 30 minutos aos compromissos agendados! =D Tendo em vista tal característica peculiar, acordamos cedo, nos arrumamos,  tomamos café e fomos rumo ao Hotel que era tão grudado no “nosso lar” que acabamos chegando com antecedência maior que os característicos 30 minutos. Sorte nossa!!! Muito antes do horário combinado com a empresa o ônibus apareceu e meu feeling já sinalizou que o rolê ia ser problemático. Passamos mais ou menos uma hora parando em hotéis para pegar os demais viajantes e adivinha? Todo mundo aparecia “atrasado”!! Será que devido ao horário de recolhimento ter sido informado incorretamente?
Enquanto fazíamos o “city tour dos hotéis” aproveitávamos o ônibus: ar condicionado no talo (maravilhoso para o clima montevidano), bancos confortáveis (tipo semi-leito), wifi e algumas informações repassadas por nossa guia (uma senhorinha que muito se assemelhava a uma vó).Quando finalmente a nossa turma estava completa não pude evitar de balbuciar um “aleluia”, hehe.
A estrada é muito de boa, bem reta e o ônibus seguiu numa velocidade adequada. Sentei na janelinha do lado direito com a Sofia do meu lado. A paisagem era marcada por praia, areia com árvores, pequenas dunas e uma série de casinhas térreas cercadas por quintais gramados com piscinas de plástico e carros antigos na garagem.
A tal de Atlántida eu nem vi. Só sei que chegamos a Piriapólis, muitas casinhas bonitinhas e térreas, mais caprichadas que as da estrada, ruazinhas de terra, bucolismo nível hard. Então o ônibus seguiu e começamos a beirar uma praia, areia clara, mar azul e muitos banhistas. A guia nos explicou que a galera de Montevideo vem passar as férias de verão alí. Chegamos ao Cerro San Antonio e a vista de lá era linda! Após uma parada de 30 minutos seguimos viagem.
Logo passamos na puente ondulante de "La Barra” mas embora eu houvesse questionado se haveria paradas para fotografia e a resposta fosse “sim” elas não ocorreram e eu fiquei com muiiita raiva! Só experimentei a sensação de percorre-la, o veículo sobe e desce pelas ondulações e a arquitetura por ser diferente é bastante interessante.
Das janelas vimos os tais barrios residenciales, super-ultra-mega playboy. Casas gigantes com gramados verdes sem muros ou portões, marcadas não por números mas sim por nomes. Entre elas destacou-se uma, a única com portões e encoberta por árvores gigantes, um quarteirão inteiro pertencente a uma figura muito querida dos brasileiros Fernando Collor de Mello, segundo nossa guia.
O ônibus seguiu por Punta e foi possível ver uma espécie de Monaco sul-americana pelas janelas. Tudo muito limpo, tudo muito rico. Até um prédio construído pelo presidente dos EUA apareceu, todo espelhado. E então rolou a parada para o almoço. O restaurante oferecia um menu fechado com entrada ( “rabas”, traduzindo lulas empanadas e fritas), prato principal (eram três opções, o Caynã escolheu a carne que veio passada e uma salada bem simplória, eu optei por um arroz sem sal acompanhado por um file de peixe com pouquíssimo sal e batatas rusticas deliciosas) e sobremesa ( bola de sorvete). Havia um menu kids e pegamos purê com alguma carne para a Sofia, o único destaque foi o purê que estava uma delicia!! Acho que a especialidade de lá eram as batatas, hehe. E tudo demorou muito, sobrando pouquíssimo tempo para passearmos no porto. Quando finalmente andamos em direção ao porto descobrimos um mini food park e não vi nenhum lobo marinho (os viajantes dos sites que visitei falavam que ali era cheinho desses bichões).
















Próximo destino las playas Brava y Mansa. O ônibus deu uma paradinha para vermos o local em que as águas do rio encontram as do oceano Atlântico mas não descemos. Havia perguntado no e-mail que troquei com a empresa se havia paradas para banho e a resposta foi “não” e então minha surpresa e raiva foram até a Lua e voltaram: fomos deixados por 1 hora e pouco em frente daquela escultura dos dedinhos saindo da areia (las manos) e com um marzão de fundo. E alguns colegas de viagem sabiam sobre a praia pois estavam com roupas de banho. Sim, eu estava com uma criança num calor infernal ao lado da praia e não podíamos entrar pois não estávamos vestidas. O melhor que deu para fazer foi ir até a beira com ela e deixar molhar os pés, se já tivéssemos ido a Casapueblo teria deixado ela entrar de roupa mas ainda tínhamos que visitar o museu e acho que uma criança encharcada não seria bem vinda. A água não era fria como haviam falado, era morna, sem ondas e rasa, ideal para crianças.
Enfim fomos a Casapueblo. Ela fica num morro, no caminho há casas que devem custar pequenas fortunas. Toda branca em contraste com o mar e céu azul. Linda!! A vista que se tem dos terraços é de tirar o fôlego. Lá funciona um “museu” (pouquíssimos itens sobre o dono/construtor/idealizador Carlos Paéz Vilaró por um preço salgado de dez dólares), um hotel (imagina se hospedar lá?!) e um restaurante/café. O lugar é legal, cheio de entradinhas e paredes desniveladas, a Sofia curtiu. Uma curiosidade: lembra aquela musiquinha da casa engraçada que não tinha teto e não tinha nada? Pois bem, segundo esse link aqui da Folhinha  http://www1.folha.uol.com.br/folhinha/2013/10/1358732-casa-muito-engracada-da-musica-de-vinicius-de-moraes-existe-de-verdade.shtml o Vinicius de Moraes se inspirou na Casapueblo para escrevê-la!!
A Casapueblo foi a cereja do bolo e talvez por isso tenha ficado para o final. Depois dela pegamos a estrada rumo a Montevideo e chegamos por volta das 20 horas.

Para concluir: não gostei do passeio, algumas informações foram dadas incorretamente, conforme relatei aqui e fiquei bastante desapontada. Acho que a melhor opção é gastar um pouco mais de grana e alugar um carro, ser dono do seu destino e do seu tempo faz tudo ficar melhor! O caminho até Punta, Punta em si e a Casapueblo são locais lindos e que merecem ser desfrutados na calmaria. Quem sabe numa próxima, não?