quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Rolêzinho no Balneário dos ricos e chiquetosos

Provavelmente quando falam do Uruguai para você, duas coisas aparecem na sua mente como mágica: churrasco e Punta del Este. Sobre o churrasco só tenho a aconselhar a não se empolgarem muito pois minha experiência não foi das melhores (ponto errado, super passado). Já sobre Punta, as coisas são bem mais positivas!!
Quando finalizei a compra das passagens para o nosso vizinho pequenino, o plano era me hospedar durante dois dias no famoso balneário dos “ricos e famosos”. Deveria ter colado esse epiteto em meu cérebro mas não o fiz, e quando comecei a procurar um hotel, apartamento, camping, qualquer espécie de teto, me assustei com o valor das diárias... O lugar mais “meia boca” possuía diárias de R$ 500,00 e pouco. Tendo em vista que não ando nadando em dinheiro, fui obrigada a abortar a estadia e trocá-la por um bate e volta!
- “Beleza!!” – pensei – “Como precisamos parar na Casapueblo que fica afastada do centrinho de Punta é melhor não utilizar ônibus de viagem e sim alugar um carro! Podemos fazer paradinhas no caminho, conhecer algumas praias ou mesmo visitar a Fazenda Lapataia (lá é possível ver o doce de leite sendo produzido, ver os bichinhos, comprar potes de doce de leite) ou algum olival...”
Mais um engano para minha coleção... aluguel de carro era caro, iria precisar de seguro, combustível, pedágio e provavelmente pagar alguns estacionamentos! Assim, me vi em busca de um tour. Muitos são oferecidos, é só jogar no google “tour punta del este desde montevideo” e xeretar os resultados. Em média, o preço por cabeça varia entre quarenta/cinquenta dólares.  O roteiro oferecido é praticamente o mesmo, só mudam a ordem das paradas: “Atlántida y Piriápolis con ascenso al cerro San Antonio; Rambla de los Argentinos y un completo paseo en Punta del Este, con Casapueblo la famosísima casa escultura del artista uruguayo Carlos Paez Vilaró; los barrios residenciales como Beverly Hills, San Rafael, Cantegril, Golf; el curioso puente ondulante de "La Barra" de Maldonado, un pintoresco lugar de moda en las últimas temporadas y las playas Brava y Mansa, recorriendo también el microcentro de la Península con tiempo libre para pasear por Gorlero, su principal avenida.”. Resumindo: uma pequena pincelada do balneário.
Após trocar e-mails, fechei o passeio com a empresa Indoor Uruguay (uruguay@indooruru guay.com), efetuei o pagamento via Pay Pal e recebi meu voucher e a orientação de que, no dia do passeio, eles me pegariam por volta das 08:50 em frente a um determinado hotel próximo ao apartamento que aluguei em Punta Carretas, um agradável bairro de Montevideo.
Nossa viagem para Punta del Este ocorreu no terceiro dia de estadia no Uruguai mais conhecido como quatro de janeiro de 2018. Embora o tal hotel estivesse localizado há cerca de quatro minutos de caminhada de casa, o Caynã e eu temos uma característica em comum e que deve ser responsável pelo sucesso do nosso relacionamento, hehe: somos tão, mas tão pontuais que sempre chegamos com antecedência mínima de 30 minutos aos compromissos agendados! =D Tendo em vista tal característica peculiar, acordamos cedo, nos arrumamos,  tomamos café e fomos rumo ao Hotel que era tão grudado no “nosso lar” que acabamos chegando com antecedência maior que os característicos 30 minutos. Sorte nossa!!! Muito antes do horário combinado com a empresa o ônibus apareceu e meu feeling já sinalizou que o rolê ia ser problemático. Passamos mais ou menos uma hora parando em hotéis para pegar os demais viajantes e adivinha? Todo mundo aparecia “atrasado”!! Será que devido ao horário de recolhimento ter sido informado incorretamente?
Enquanto fazíamos o “city tour dos hotéis” aproveitávamos o ônibus: ar condicionado no talo (maravilhoso para o clima montevidano), bancos confortáveis (tipo semi-leito), wifi e algumas informações repassadas por nossa guia (uma senhorinha que muito se assemelhava a uma vó).Quando finalmente a nossa turma estava completa não pude evitar de balbuciar um “aleluia”, hehe.
A estrada é muito de boa, bem reta e o ônibus seguiu numa velocidade adequada. Sentei na janelinha do lado direito com a Sofia do meu lado. A paisagem era marcada por praia, areia com árvores, pequenas dunas e uma série de casinhas térreas cercadas por quintais gramados com piscinas de plástico e carros antigos na garagem.
A tal de Atlántida eu nem vi. Só sei que chegamos a Piriapólis, muitas casinhas bonitinhas e térreas, mais caprichadas que as da estrada, ruazinhas de terra, bucolismo nível hard. Então o ônibus seguiu e começamos a beirar uma praia, areia clara, mar azul e muitos banhistas. A guia nos explicou que a galera de Montevideo vem passar as férias de verão alí. Chegamos ao Cerro San Antonio e a vista de lá era linda! Após uma parada de 30 minutos seguimos viagem.
Logo passamos na puente ondulante de "La Barra” mas embora eu houvesse questionado se haveria paradas para fotografia e a resposta fosse “sim” elas não ocorreram e eu fiquei com muiiita raiva! Só experimentei a sensação de percorre-la, o veículo sobe e desce pelas ondulações e a arquitetura por ser diferente é bastante interessante.
Das janelas vimos os tais barrios residenciales, super-ultra-mega playboy. Casas gigantes com gramados verdes sem muros ou portões, marcadas não por números mas sim por nomes. Entre elas destacou-se uma, a única com portões e encoberta por árvores gigantes, um quarteirão inteiro pertencente a uma figura muito querida dos brasileiros Fernando Collor de Mello, segundo nossa guia.
O ônibus seguiu por Punta e foi possível ver uma espécie de Monaco sul-americana pelas janelas. Tudo muito limpo, tudo muito rico. Até um prédio construído pelo presidente dos EUA apareceu, todo espelhado. E então rolou a parada para o almoço. O restaurante oferecia um menu fechado com entrada ( “rabas”, traduzindo lulas empanadas e fritas), prato principal (eram três opções, o Caynã escolheu a carne que veio passada e uma salada bem simplória, eu optei por um arroz sem sal acompanhado por um file de peixe com pouquíssimo sal e batatas rusticas deliciosas) e sobremesa ( bola de sorvete). Havia um menu kids e pegamos purê com alguma carne para a Sofia, o único destaque foi o purê que estava uma delicia!! Acho que a especialidade de lá eram as batatas, hehe. E tudo demorou muito, sobrando pouquíssimo tempo para passearmos no porto. Quando finalmente andamos em direção ao porto descobrimos um mini food park e não vi nenhum lobo marinho (os viajantes dos sites que visitei falavam que ali era cheinho desses bichões).
















Próximo destino las playas Brava y Mansa. O ônibus deu uma paradinha para vermos o local em que as águas do rio encontram as do oceano Atlântico mas não descemos. Havia perguntado no e-mail que troquei com a empresa se havia paradas para banho e a resposta foi “não” e então minha surpresa e raiva foram até a Lua e voltaram: fomos deixados por 1 hora e pouco em frente daquela escultura dos dedinhos saindo da areia (las manos) e com um marzão de fundo. E alguns colegas de viagem sabiam sobre a praia pois estavam com roupas de banho. Sim, eu estava com uma criança num calor infernal ao lado da praia e não podíamos entrar pois não estávamos vestidas. O melhor que deu para fazer foi ir até a beira com ela e deixar molhar os pés, se já tivéssemos ido a Casapueblo teria deixado ela entrar de roupa mas ainda tínhamos que visitar o museu e acho que uma criança encharcada não seria bem vinda. A água não era fria como haviam falado, era morna, sem ondas e rasa, ideal para crianças.
Enfim fomos a Casapueblo. Ela fica num morro, no caminho há casas que devem custar pequenas fortunas. Toda branca em contraste com o mar e céu azul. Linda!! A vista que se tem dos terraços é de tirar o fôlego. Lá funciona um “museu” (pouquíssimos itens sobre o dono/construtor/idealizador Carlos Paéz Vilaró por um preço salgado de dez dólares), um hotel (imagina se hospedar lá?!) e um restaurante/café. O lugar é legal, cheio de entradinhas e paredes desniveladas, a Sofia curtiu. Uma curiosidade: lembra aquela musiquinha da casa engraçada que não tinha teto e não tinha nada? Pois bem, segundo esse link aqui da Folhinha  http://www1.folha.uol.com.br/folhinha/2013/10/1358732-casa-muito-engracada-da-musica-de-vinicius-de-moraes-existe-de-verdade.shtml o Vinicius de Moraes se inspirou na Casapueblo para escrevê-la!!
A Casapueblo foi a cereja do bolo e talvez por isso tenha ficado para o final. Depois dela pegamos a estrada rumo a Montevideo e chegamos por volta das 20 horas.

Para concluir: não gostei do passeio, algumas informações foram dadas incorretamente, conforme relatei aqui e fiquei bastante desapontada. Acho que a melhor opção é gastar um pouco mais de grana e alugar um carro, ser dono do seu destino e do seu tempo faz tudo ficar melhor! O caminho até Punta, Punta em si e a Casapueblo são locais lindos e que merecem ser desfrutados na calmaria. Quem sabe numa próxima, não?

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